Estabilidade na Instabilidade

Estabilidade na Instabilidade

 Dilean Martins (Diretora Educacional | ACSI BRASIL)

2020 e 2021 tem sido um tempo desafiador em todas as áreas de nossa vida: na saúde, na convivência familiar, no profissional, nas finanças, no cotidiano escolar, no emocional e também na fé.  As bases, antes sólidas e firmes, de muitas dessas áreas foram abaladas e fomos expostos as intempéries da vida. Jó passou por algo semelhante, pois a vida e a rotina dele seguiam de forma normal e estável. De repente, num dia ele estava festejando e no outro estava de luto, pobre, doente e SÓ.

Uma “pandemia de tragédias” afetou um homem comum como eu e você. O imprevisível visitou Jó, assim como nos visitou nos últimos meses. A questão é como nos preparar para enfrentar os imprevistos que desestabilizam nossa vida, rotina e planos?

 

Guardando a fé! 

Na situação atual já perdemos tanto, que perder a fé também seria o ápice das tragédias! Jó perdeu a fé nele quando questionou qual o sentido de sua vida e até de seu nascimento, mas a fé em Deus foi preservada. Mesmo doente e só, ele não sucumbiu ao conselho “dos amigos” que sugeriram que ele praguejasse contra o Criador. Espero que nesse tempo a sua fé esteja segura e firme. Apesar da tristeza das circunstâncias, apesar da dor, do luto, apesar das perdas financeiras, apesar... apesar... apesar... não podemos ainda perder a base, o fundamento, os valores que sustentam nossa vida. O salmista sabia disso, e ao viver uma situação difícil falou: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre”. Salmo 73.26. No tempo da instabilidade, precisamos guardar a nossa fé em Deus, é ela que nos fortalecerá.

 

Olhando para Deus! 

Tudo muda, tudo passa. Só Deus permanece! Deus é estável, “nele não há variação” Tg 1.17. Isso é maravilhoso! Nos imprevistos da vida podemos correr para uma Rocha que não se abala, que garante que suas “palavras jamais passarão” Mt 24.35.  Em tempos instáveis precisamos de uma referência estável, perene e confiável. Precisamos de Deus! Jó vivenciou isso. Quando a tragédia o assolou, de início ele colocou os olhos na tragédia e nele mesmo. Ele sofreu, questionou, murmurou, mas a partir do cap. 19 o jogo começa a virar, e ele diz: “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” Jó 19.25.  Ao mudar a direção do olhar, a perspectiva de Jó também mudou. A força e a esperança para enfrentar os dias difíceis não estão nas respostas que a nossa razão, a ciência, os jornais ou os políticos podem dar, mas em olhar e confiar em Deus, que continua reinando sobre toda a diversidade do mundo (e para não ser um contexto tão distante e impessoal, vamos lembrar: precisamos enxergar que Deus reina sobre as nossas dificuldades, lutas e dores!). Olhemos para Deus! 

 

Aprendendo! 

Existe um provérbio popular que diz que o inteligente aprende com seus erros, e que o sábio aprende com o erro dos outros. Paulo diz em Romanos 5 que a tribulação ensina a ser paciente, que por sua vez produz a experiência, que gera em nós esperança. Em tempos difíceis precisamos praticar a Palavra. Jó, quando tirou os olhos das coisas terrenas, começou a viver e a esperar por coisas que conhecia antes do tempo da tribulação, porém não as praticava, pois estava tudo bem. Em Jó 1.1 diz que ele era temente a Deus e cumpria os mandamentos, ou seja, ele conhecia a Deus. No entanto, ele só se conheceu de verdade e conheceu a Deus de forma profunda no tempo mais difícil da vida dele. “Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos” Jó 42.5.  Que aprendizado precioso e tão penoso. C.S. Lewis disse: “Não estamos duvidando que Deus fará o que é o melhor para nós. Estamos nos perguntando o quão doloroso será passar pelo que é melhor para nós”. Certamente o tempo difícil forma nosso caráter, milhares de anos depois Jó é conhecido como ‘o homem paciente’. Aprendamos com Jó a enxergar Deus e sua soberania em toda a história de nossa vida: nos dias bons e nos dias maus, Deus é Deus! 

 

Jó viveu uma experiência inimaginável para muitos de nós, pelo menos até antes da pandemia era difícil mensurar como alguém poderia passar por tantas perdas assim. Porém, atualmente estamos cercados de “Jós”. São pessoas próximas ou não que perderam muitos membros da família, que perderam a casa, a estabilidade, por necessidade de mudança perderam os amigos, por sequelas do COVID perderam a saúde e a independência... essas pessoas carecem de oração, de palavras de fé e esperança que as ajudem a enxergar a luz no meio da escuridão. Entretanto, independentemente do tamanho da perda, todos nós fomos atingidos e estamos pisando em terreno duvidoso.

Como está nosso coração e nossa fé nesses dias? Façamos o exercício da autoavaliação para saber como estamos agindo em favor do próximo. E quem é o nosso próximo? Pode ser o vizinho, o familiar, alguém da igreja. Talvez o porteiro da escola, a família de um aluno, nossos alunos. Como temos revelado nossa confiança e esperança em Deus quando a segurança do amanhã escapa de nossas mãos? Que na instabilidade nosso testemunho aponte para a estabilidade e constância de Deus. 

 

Que sejamos o amigo que ora e não o que murmura ou lamenta.

Que sejamos o elo que promove a unidade e não o que separa.

Que sejamos aqueles que se alegram por fazer parte da história de Deus, no tempo bom, mas também nos dias maus.

  

E quando nos perguntarem quando a estabilidade voltará... respondamos com fé: Eu sei que meu Redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra! E quando Ele se levanta... a situação muda. “O SENHOR mudou a sorte de Jó” Jó 42.10  


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