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COSMOVISÃO: DO CONCEITO À PRÁTICA NA ESCOLA CRISTÃ

Autor - Mauro Meister

 

“O alvo… do ensino é reparar as ruínas dos nossos primeiros pais pela reconquista do conhecimento correto de Deus e, a partir deste conhecimento, amá-lo, imitá-lo e ser como Ele”. (John Milton)

1. Breve Definição De Cosmovisão

Segundo Sire, em Naming the elephant,

Uma cosmovisão é um compromisso, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expresso como uma narrativa ou como um conjunto de pressuposições (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou inteiramente falsas) que nós sustentamos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade, e que provê o fundamento sobre o qual nós vivemos, nos movemos e existimos.

Dentro do processo de ensino-aprendizagem na escola cristã, muito além de trabalharmos com conteúdos ou nos limitarmos ao conjunto de pressuposições do aluno, sabemos que as orientações fundamentais do coração devem ser trabalhadas a fim de que o ensino seja a expressão da verdade bíblica e a aplicação consistente desta verdade a todas as áreas do viver. Entretanto, estas áreas só podem ser trabalhadas a partir de uma realidade espiritual clara que determina o que Sire chama de “compromisso, uma orientação fundamental do coração”. Na escola, ao trabalhar o currículo e os conteúdos, esta orientação fundamental do coração vai gerir o conjunto de pressupostos e, consequentemente, a paixão com que sustentamos estes elementos.

O ser humano não é orientado de maneira puramente racional e por pressuposições destituídas de paixões, em qualquer área da existência. Não há ciência neutra e nem educação neutra. Todos os que se entregam ao labor do ensino o fazem motivados por razões fundamentais do coração que os dirigem, consciente ou inconscientemente.

No sentido bíblico, o coração é o centro do ser. Não é somente o berço de nossas emoções e sentimentos, mas aquilo que somos como o somatório da sabedoria, desejos, vontade, espiritualidade e intelecto. Creio que esta ideia dá a base e origem para o conceito tão enaltecido de educação integral ou holística, a saber, educar o ser completo para o exercício da cidadania. Ora, este conceito, tomado de maneira teo-referente, é exatamente o que nos ensina a própria Escritura, sendo ela mesma a base sobre a qual devemos desenvolver a educação. O apóstolo Paulo aponta claramente para este propósito quando diz que a Escritura, por ser inspirada por Deus, “é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3.16). Não me parece que Paulo, ou qualquer outro escritor bíblico, limite a utilidade da Escritura apenas ao ensino no campo religioso. No caso deste texto específico, Paulo mostra a abrangência deste ensino ao indicar o seu propósito: “a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.17). A expressão “perfeito e perfeitamente habilitado” carrega exatamente o conceito de adequação e proficiência para cumprir uma determinada tarefa. O mesmo princípio pode ser aplicado ao conceito das “boas obras”, ou seja, elas não estão limitadas ao campo religioso e à caridade, mas a toda obra, em qualquer esfera da vida, que deve ser feita para a glória de Deus. Este é o alvo.

Este conceito expresso na epístola a Timóteo, com certeza encontra fundamento nas raízes judaicas de Paulo e, fundamentalmente, no seu apreço pela Escritura que propõe, no livro de Deuteronômio, uma educação fundamentada na Lei de Deus aplicada ao dia a dia dos aprendizes. Os filhos do povo de Deus eram orientados com base na revelação divina com o propósito de desenvolver uma cosmovisão plena. Não há qualquer sugestão de que a instrução religiosa estivesse segregada a apenas uma parte da compreensão e da vida.

Logo, faz parte da tarefa dos educadores cristãos buscar tanto a consciência como a consistência na aplicação de uma cosmovisão no projeto educativo. O estudo e a reflexão tornam-se nossos alvos contínuos a fim de nos apresentarmos a Deus como obreiros aprovados, que não têm de que se envergonhar (cf. 2Tm 2.15). Novamente, o obreiro que não tem de que se envergonhar e que “maneja bem a palavra da verdade” não dever estar limitado a agir desta forma somente no campo do ensino religioso ou eclesiástico, mas em todas as esferas do conhecimento e da existência. Assim, proponho abaixo a avaliação de algumas áreas essenciais em que a busca de consciência e consistência pode dar, ao educador e às instituições, uma visão mais ampla do caminho rumo à aplicação de uma cosmovisão bíblica sólida.

Para ler/baixar o artigo completo em pdf http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_XIII__2008__2/Cosmovisao_-_Do_Conceito_a_Pratica_na_Escola_Crista__Mauro_Meister_.pdf

 

 

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