Estabilidade na Instabilidade

Estabilidade na Instabilidade

 Dilean Martins (Diretora Educacional | ACSI BRASIL)

2020 e 2021 tem sido um tempo desafiador em todas as áreas de nossa vida: na saúde, na convivência familiar, no profissional, nas finanças, no cotidiano escolar, no emocional e também na fé.  As bases, antes sólidas e firmes, de muitas dessas áreas foram abaladas e fomos expostos as intempéries da vida. Jó passou por algo semelhante, pois a vida e a rotina dele seguiam de forma normal e estável. De repente, num dia ele estava festejando e no outro estava de luto, pobre, doente e SÓ.

Uma “pandemia de tragédias” afetou um homem comum como eu e você. O imprevisível visitou Jó, assim como nos visitou nos últimos meses. A questão é como nos preparar para enfrentar os imprevistos que desestabilizam nossa vida, rotina e planos?

 

Guardando a fé! 

Na situação atual já perdemos tanto, que perder a fé também seria o ápice das tragédias! Jó perdeu a fé nele quando questionou qual o sentido de sua vida e até de seu nascimento, mas a fé em Deus foi preservada. Mesmo doente e só, ele não sucumbiu ao conselho “dos amigos” que sugeriram que ele praguejasse contra o Criador. Espero que nesse tempo a sua fé esteja segura e firme. Apesar da tristeza das circunstâncias, apesar da dor, do luto, apesar das perdas financeiras, apesar... apesar... apesar... não podemos ainda perder a base, o fundamento, os valores que sustentam nossa vida. O salmista sabia disso, e ao viver uma situação difícil falou: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre”. Salmo 73.26. No tempo da instabilidade, precisamos guardar a nossa fé em Deus, é ela que nos fortalecerá.

 

Olhando para Deus! 

Tudo muda, tudo passa. Só Deus permanece! Deus é estável, “nele não há variação” Tg 1.17. Isso é maravilhoso! Nos imprevistos da vida podemos correr para uma Rocha que não se abala, que garante que suas “palavras jamais passarão” Mt 24.35.  Em tempos instáveis precisamos de uma referência estável, perene e confiável. Precisamos de Deus! Jó vivenciou isso. Quando a tragédia o assolou, de início ele colocou os olhos na tragédia e nele mesmo. Ele sofreu, questionou, murmurou, mas a partir do cap. 19 o jogo começa a virar, e ele diz: “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” Jó 19.25.  Ao mudar a direção do olhar, a perspectiva de Jó também mudou. A força e a esperança para enfrentar os dias difíceis não estão nas respostas que a nossa razão, a ciência, os jornais ou os políticos podem dar, mas em olhar e confiar em Deus, que continua reinando sobre toda a diversidade do mundo (e para não ser um contexto tão distante e impessoal, vamos lembrar: precisamos enxergar que Deus reina sobre as nossas dificuldades, lutas e dores!). Olhemos para Deus! 

 

Aprendendo! 

Existe um provérbio popular que diz que o inteligente aprende com seus erros, e que o sábio aprende com o erro dos outros. Paulo diz em Romanos 5 que a tribulação ensina a ser paciente, que por sua vez produz a experiência, que gera em nós esperança. Em tempos difíceis precisamos praticar a Palavra. Jó, quando tirou os olhos das coisas terrenas, começou a viver e a esperar por coisas que conhecia antes do tempo da tribulação, porém não as praticava, pois estava tudo bem. Em Jó 1.1 diz que ele era temente a Deus e cumpria os mandamentos, ou seja, ele conhecia a Deus. No entanto, ele só se conheceu de verdade e conheceu a Deus de forma profunda no tempo mais difícil da vida dele. “Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos” Jó 42.5.  Que aprendizado precioso e tão penoso. C.S. Lewis disse: “Não estamos duvidando que Deus fará o que é o melhor para nós. Estamos nos perguntando o quão doloroso será passar pelo que é melhor para nós”. Certamente o tempo difícil forma nosso caráter, milhares de anos depois Jó é conhecido como ‘o homem paciente’. Aprendamos com Jó a enxergar Deus e sua soberania em toda a história de nossa vida: nos dias bons e nos dias maus, Deus é Deus! 

 

Jó viveu uma experiência inimaginável para muitos de nós, pelo menos até antes da pandemia era difícil mensurar como alguém poderia passar por tantas perdas assim. Porém, atualmente estamos cercados de “Jós”. São pessoas próximas ou não que perderam muitos membros da família, que perderam a casa, a estabilidade, por necessidade de mudança perderam os amigos, por sequelas do COVID perderam a saúde e a independência... essas pessoas carecem de oração, de palavras de fé e esperança que as ajudem a enxergar a luz no meio da escuridão. Entretanto, independentemente do tamanho da perda, todos nós fomos atingidos e estamos pisando em terreno duvidoso.

Como está nosso coração e nossa fé nesses dias? Façamos o exercício da autoavaliação para saber como estamos agindo em favor do próximo. E quem é o nosso próximo? Pode ser o vizinho, o familiar, alguém da igreja. Talvez o porteiro da escola, a família de um aluno, nossos alunos. Como temos revelado nossa confiança e esperança em Deus quando a segurança do amanhã escapa de nossas mãos? Que na instabilidade nosso testemunho aponte para a estabilidade e constância de Deus. 

 

Que sejamos o amigo que ora e não o que murmura ou lamenta.

Que sejamos o elo que promove a unidade e não o que separa.

Que sejamos aqueles que se alegram por fazer parte da história de Deus, no tempo bom, mas também nos dias maus.

  

E quando nos perguntarem quando a estabilidade voltará... respondamos com fé: Eu sei que meu Redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra! E quando Ele se levanta... a situação muda. “O SENHOR mudou a sorte de Jó” Jó 42.10  

Resgatando o papel do professor na escola confessional como transmissor de conhecimento e da verdade: reflexões e propostas seminais


Francisco Solano Portela Neto*

RESUMO

Este artigo apresenta os conceitos de entendimento, verdade e ensino adotados pelas estruturas teóricas do construtivismo, explora as similaridades com o sócio-interacionismo de Vygotsky e as compara com as proposições encontradas em textos pertinentes das Escrituras Sagradas, o texto fundacional sobre o qual se constrói a filosofia da fé cristã e que deve nortear em última análise a estrutura teórica abraçada por educadores e escolas cristãs. Para alcançar suas conclusões, o autor reflete, no artigo, pesquisa e exame em literatura recente, nos campos da pedagogia, da epistemologia e da teologia. O artigo propõe uma pergunta de pesquisa que leva à comparação do construtivismo com os conceitos bíblicos, tendo como hipótese de que discrepâncias serão encontradas em maior número do que similaridades. Procura-se demonstrar que se uma pessoa abraça a fé cristã, deveria, por coerência, ter uma visão do processo de aprendizagem que irá diferir do modelo encontrado nos círculos educacionais contemporâneos. No final, o autor apresenta uma segunda pergunta, tratando da percepção que os educadores e escolas cristãs têm destas diferenças, colocada como base para pesquisas adicionais, apontando que as escolas e os educadores cristãos são o alvo natural de uma aferição do grau de percepção das diferenças nesses conceitos e que tipo de impacto uma visão cristã do conhecimento e da aprendizagem tem no final, ou seja, nas práticas educacionais em salas de aula.
PALAVRAS-CHAVE: Educação escolar cristã; Conhecimento; Construtivismo; Facilitador; Pós-modernismo; Professor; Transmissor; Verdade.

 

INTRODUÇÃO

Construtivismo é a estrutura teórica educacional quase que monoliticamente aceita e praticada no Brasil para o processo de ensino-aprendizagem nas escolas públicas ou particulares desde a pré-escola até o Ensino Médio. Grande parte dessa estrutura também é carreada à prática educacional do ensino superior brasileiro. No entanto, nas últimas décadas têm surgido vozes e escritos contraditórios a essa teoria cognitiva, apontando sua base filosoficamente frágil e a prática virtualmente impossível de suas premissas em salas de aula.
Vários desses posicionamentos foram citados no livro do autor O Que Estão Ensinando aos Nossos Filhos?1 Em escala mundial, nos últimos anos observa-se igualmente uma contrarreação ao seu emprego no ensino fundamental e à sua utilização, como axiologia, em cursos de pedagogia. No Brasil, uma das primeiras iniciativas de uma abordagem diferente da construtivista por uma instituição educacional de porte foi a elaboração do Sistema Mackenzie de Ensino. Este Sistema, cujo desenvolvimento começou no ano de 2005 e foi completado em 2018, compreende livros didáticos a partir do Jardim I, suprindo todo o Ensino Fundamental 1 e 2, até o último ano do ensino, cobrindo todas as áreas de conhecimento para essas séries e anos. O Instituto Presbiteriano Mackenzie aplicou grande investimento e esforço de pessoal qualificado para produzir esse material, que foi elaborado com base em uma cosmovisão cristã e com uma metodologia cognitivo-interacionista.
Nesta, a aquisição de conhecimento recebe ênfase primária em um contexto de interação dos alunos com os meios que lhes são familiares e necessários ao seu desenvolvimento (família, escola, sociedade), onde princípios e valores eternos alicerçam o processo de ensino-aprendizagem, no qual o papel do professor é fundamental. O resultado concreto é representado por mais de 1.000 livros e materiais auxiliares produzidos, incluindo os manuais do professor, bem como por um programa de treinamento oferecido às quase 400 escolas que o utilizam no Brasil.2
O autor participou desses esforços de produção e estruturação do Sistema Mackenzie de Ensino e solidificou a convicção de que uma abordagem bíblica consistente às áreas do saber leva a uma compreensão dos conceitos de conhecimento, verdade e ensino diferente daqueles que são abrigados pelo construtivismo. Isso se estende às vertentes mais contemporâneas, como o neoconstrutivismo, ou a abordagem que tem recebido o nome de escola progressista, no campo educacional. A dissonância com os postulados bíblicos identifica uma área na qual são necessárias e bem-vindas pesquisas adicionais, para que se cristalize o papel adequado do professor cristão, especialmente em escolas cristãs, e que também venha a avaliar a percepção desses professores quanto às diferenças entre os dois caminhos propostos, bem como quanto à sua prática educacional em sala de aula. O autor já apresentou várias análises e propostas em forma de palestras, artigos e livros,3 mas vê a necessidade de realização de pesquisas adicionais no campo pedagógico cristão. O propósito dessas pesquisas deverá ser sempre delinear e sugerir alternativas do processo de ensino/aprendizagem coerentes com a fé cristã professada por professores cristãos e explicitada por Escolas Cristãs em seus documentos fundacionais.


1. PERGUNTA DE PESQUISA
Uma pergunta de pesquisa pode ser considerada como base para gerar uma comparação entre dois entendimentos ou visões do processo de ensino/aprendizagem e direcionar pesquisas adicionais entre o relacionamento da fé cristã de uma pessoa e a compreensão desenvolvida com base nesta mesma fé (pisteologia) da estrutura educacional contemporânea do construtivismo: “Como o entendimento dos conceitos de conhecimento, verdade e ensino apresentados pelo construtivismo se comparam com o ensino bíblico sobre esses mesmos conceitos?” A resposta a esta pergunta é o escopo deste artigo, no qual o termo “professor” é utilizado de forma genérica para se referir tanto a professores como a professoras.


1.1 Discussão de palavras-chave
Foram utilizadas diversas palavras-chave para a localização de literatura acadêmica relevante relacionada com os temas aqui abordados e que se constituem nos temas principais desenvolvidos no artigo. Estas seguem aqui definidas:

Educação Escolar Cristã – refere-se ao processo ou sistema educacional que considera as crenças cristãs como uma parte integral e legítima do seu escopo. Estas palavras são essenciais a qualquer busca em conjunto com outras palavras-chave abaixo relacionadas, geralmente com o operador booleano AND.

Conhecimento – palavra-chave relacionada com qualquer teoria educacional, significando dados que são adquiridos, descobertos, assimilados ou construídos (de acordo com a teoria educacional adotada), no desenvolvimento cognitivo, constituindo-se no objetivo do processo de ensino/aprendizagem.

Construtivismo – palavra-chave relacionada com a estrutura teórica que foi desenvolvida a partir do trabalho epistemológico e dos escritos de Jean Piaget (1896-1980), baseada em suas pesquisas sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças. O termo abriga conceitos específicos e definidos sobre conhecimento, verdade e ensino. Esta palavra também é considerada em forma composta com componentes mais contemporâneos, como, por exemplo, construtivismo radical, sócio-construtivismo, etc.

Facilitador – esse termo descreve a tarefa básica do professor dentro de um entendimento construtivista do processo de ensino/aprendizagem, no qual o professor age como um catalizador, enquanto o aluno constrói o seu próprio conhecimento.

Pós-modernismo – visão de mundo que surgiu após a chamada era moderna, geralmente considerada desde a década de 1950 até os dias atuais, caracterizada pela rejeição de absolutos, abrigando um entendimento relativista da sociedade, uma negação da existência de uma verdade única e real, e uma ênfase na construção de realidades subjetivas individuais, pertinentes apenas à pessoa que as formula. O pós-modernismo representa um meio ambiente fértil para muitas teorias educacionais que abrigam conceitos semelhantes.

Transmissor – palavra que pode ser utilizada para especificar o papel do professor se há a admissão de que o conhecimento pode ser transmitido de uma pessoa para outra. É utilizada para a busca de educadores que continuam a abrigar este ponto de vista, que pode ser mais próximo do sentido bíblico do ensino.

Verdade – aquilo que é certo e correto; o oposto do que é falso. O termo pode ser entendido como sendo assertivo, proposicional e transmissível, ou, no pós-modernismo e relativismo, como algo que não pode ser apreendido, plenamente conhecido, ou como um conceito que é mutável de acordo com as circunstâncias ou localização.


2. VISÕES EDUCACIONAIS CONTEMPORÂNEAS SOBRE CONHECIMENTO, VERDADE E ENSINO

2.1 Por que o foco no construtivismo?
Além da interatividade pessoal do autor com material de ensino que se contrapôs a essa vertente, detalhado na introdução deste artigo, é inegável que o construtivismo penetrou profundamente nas teorias educacionais, em escala mundial, imprimindo sua estrutura teórica ao processo de ensino/aprendizagem desde seus primórdios em solo europeu. Consequentemente, é obrigatório que haja um exame e entendimento de sua estrutura filosófica pelos educadores. É verdade que o construtivismo é um guarda-chuva amplo, sob o qual estão abrigados “o radical construtivismo de Ernst von Glasersfeld, o construtivismo cognitivo de Jean Piaget, o construtivismo social de Lev Vygotsky e o construtivismo transacional de John Dewey”.4 Mas o que é comum a todas essas abordagens é a premissa de que “os alunos devem construir suas próprias percepções [insights], entendimentos e conhecimento”.5 A importância do construtivismo e seu relacionamento fundacional com os dois educadores historicamente ligados à disseminação dessa corrente de pensamento na pedagogia é reconhecida por Van Brummelen, que registra: “A ideologia experimental do construtivismo é o movimento mais influente na formação curricular dos nossos dias; é enraizada nos escritos do já falecido psicólogo suíço Jean Piaget e nos textos do russo Lev Vygotsky”.6 Essa importância em status, no campo psicopedagógico, é também registrada por Miller, quando escreve que “Piaget foi a figura mais importante na psicologia desenvolvimental” e que “ele alterou o curso da psicologia”.7

A conexão entre pós-modernismo e construtivismo é claramente estabelecida tanto por DeLashmutt e Braund8 como por Van Brummelen. Este último, que chega a afirmar que o construtivismo “é uma manifestação do pós-modernismo”,9 insiste que devemos prestar atenção para discernir como as características dessa visão de mundo afetam os conceitos e práticas educacionais.

Na verdade, parece existir uma conexão mais forte ainda de uma visão humanista do mundo (onde Deus é alijado dos construtos filosóficos) com diversos aspectos da chamada pedagogia progressista ou educação progressista, que levam à convergência do pensamento de várias figuras proeminentes que têm expressado pontos de vista contrários ao cristianismo. Isso é reconhecido pelo eminente filósofo cristão Francis Schaeffer (1912-1984). Em seu livro Manifesto Cristão, ele contrasta o humanismo (que nada tem a ver com humanitarianismo – que é o interesse pelo bem-estar do próximo, do ser humano), a filosofia que tem o homem no centro de suas cogitações (“O homem é a medida de todas as coisas”), com o cristianismo, que é a visão teocêntrica de mundo. Schaeffer diz que “os cristãos deveriam estar irredutivelmente em oposição à filosofia destrutiva e falsa do humanismo” e os contrastes com a fé cristã não deveriam nos surpreender. Ele faz referência aos Manifestos I e II publicados pela Sociedade Humanista (1933 e 1973), que agrupa vários ícones do campo educacional, tais como John Dewey (1859-1952), Burrhus Frederick Skinner (1904-1990), Jacques Monod (1910-1976) e o conhecido Sir Julian Huxley (1887-1975).10 Realmente, não deveria ser surpresa que os sustentáculos das filosofias educacionais humanistas de Dewey, Skinner e outros venham se contrapor à filosofia da fé cristã. Se considerarmos o cristianismo mais do que apenas uma forma de expressão religiosa/devocional, para ser vivida nos domingos, mas, acertadamente, como uma visão da vida e do mundo que possui coerência, fundamentada na revelação especial escriturada da Bíblia, temos de examinar as estruturas teóricas e suas premissas sobre a natureza humana, bem como seus conceitos de conhecimento, verdade e o papel do professor, para avaliar os possíveis pontos de contradição com a educação escolar cristã.

 

3. O CONCEITO DE CONHECIMENTO, VERDADE E O PAPEL DO PROFESSOR NO CONSTRUTIVISMO
3.1 Conhecimento
O construtivismo e as teorias derivadas dessa corrente, como infere o próprio nome, postula que o conhecimento é algo privado, particular, que é internamente construído. O indivíduo gera o seu próprio conhecimento.11 Por exemplo, autores como Ortlieb12 e An13 mantêm que um texto não tem um significado inerente:

[...] um texto escrito não leva um significado em si próprio. Em vez disso, um texto somente imprime direcionamentos para os leitores indicando como eles podem extrair e construir significado baseados nos conhecimentos que previamente adquiriram.14

Como consequência, para os construtivistas “aqueles que aprendem não são... receptores de conhecimento provido pelo instrutor”.15 Assim, o conhecimento não é algo descoberto e muito menos transmitido , mas “um processo... um relacionamento entre o conhecedor ativo e o que é conhecido”.16 Uma quantidade impressionante de educadores nem questionam essa pressuposição, mas alicerçam toda a sua pesquisa nessa premissa, que é apenas uma hipótese filosófica, como, por exemplo, Barber.17

Van Brummelen critica essa natureza subjetiva do conhecimento e a negação de sua existência objetiva:

Essa teoria representa uma ruptura radical com o pensamento ocidental cristão, de que o conhecimento pode ser obtido por meio dos sentidos e levar a uma compreensão do mundo real. O construtivismo postula que não descobrimos conhecimento nem temos condição de ler o livro da natureza. Em vez disso, proclama que as pessoas constroem todo o conhecimento tanto individualmente como através de interações sociais.18

Mesmo quando levamos em consideração a finitude, a imperfeição e o pecado latente nas pessoas, o conhecimento verdadeiro é uma possibilidade bíblica para a humanidade: “... conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8.32). As limitações das pessoas consistem na impossibilidade de terem conhecimento exaustivo de algo. Mas isso não significa que o que lhes é dado conhecer não possa ser conhecimento objetivo e verdadeiro. É isso que ensina o apóstolo Paulo quando fala em termos bem concretos e objetivos sobre o conhecimento do amor de Cristo em Efésios 3.18-19: “... a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus”.19

3.2 Verdade
A “negação da verdade cognoscível”, postulada pelo pós-modernismo e o construtivismo, é registrada por DeLashmutt e Braund.20 Em adição a isso, esses autores demonstram como a educação pós-moderna, com sua noção de que o conhecimento é um “construto social” e tem significado apenas para a realidade individual de uma pessoa específica que interagiu com seu conhecimento prévio e o meio, elimina as “regras e práticas estabelecidas nas diversas disciplinas” e não permite aos educadores apontar, aos seus alunos, que suas conclusões estão “erradas”.21 A verdade é, portanto, algo totalmente subjetivo no entendimento da estrutura construtivista, e não algo que tem validade objetiva universal; ela não pode ser alcançada. Fica reduzida, assim, a alguma coisa indefinida, uma pálida sombra da realidade.

3.3 O professor
A maior parte dos construtivistas prescreve aos professores apenas o papel externo de facilitadores. Eles têm que organizar o meio, os materiais ou o contexto social e o ambiente para que o processo de aprendizagem possa acontecer na esfera cognitiva dos alunos. Na melhor das hipóteses, alguns construtivistas atribuem aos professores o papel de mediadores.22 Biesta chama atenção para o fato de que os construtivistas abandonaram a noção de que “os professores têm algo a ensinar e os alunos têm algo a aprender com o ensino daqueles”.23 Consequentemente, ele argumenta que a adoção de um papel para o professor conforme o entendimento dos construtivistas resultará na morte do ensino.24 Thompson lamenta a mensagem da educação progressista, que diminui o professor e que não mais o considera como “transmissor do conhecimento”, por postular que “as crianças são as criadoras subjetivas de seu próprio conhecimento”.25

 

4. O CONCEITO DE CONHECIMENTO E VERDADE DE ACORDO COM A BÍBLIA
Lemos as Escrituras partindo do entendimento de que o texto tem significado em si mesmo. Esse simples exame demonstra que conhecimento e verdade são conceitos muito objetivos e, portanto, transmissíveis. Em 2 Timóteo 2.2, Paulo estabelece exatamente uma cadeia de transmissão de conhecimento e da verdade, de geração a geração: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos
para instruir a outros”. Van Brummelen enfatiza que em Jesus Cristo temos a verdade, que “ele é o que dá significado ao mundo” e que “cada coisa criada aponta para além de si própria, para Cristo que sustenta e preserva o mundo (Cl 1.17 e Hb 1.3)”.26

A verdade real existe. Jesus é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Valores e conhecimento devem ser transmitidos não somente como Paulo instruiu ao jovem pastor Timóteo, mas como temos no Salmo 78, de geração a geração. Educadores cristãos e escolas cristãs deveriam trabalhar dentro dessa estrutura, que tem sido, infelizmente, tantas vezes esquecida no cenário contemporâneo, até por escolas cristãs. Chan e Wong demonstraram como as crenças influenciam o ensino até da matemática.27 Temos que escrutinar de perto essa prática educacional direcionada pela fé, que também transparece no trabalho de Chapman, McNamara e Reiss.28 Os cristãos “observam o mundo de uma maneira diferente, e todos os crentes precisam se preparar para defender a razão pela qual creem que a verdade é absoluta, acessível e real – para todos”.29


5. O PAPEL DO PROFESSOR EM HARMONIA COM OS CONCEITOS BÍBLICOS DE CONHECIMENTO E VERDADE
Considerando o que já temos tratado neste artigo, a grande questão é: Pode um professor cristão desconsiderar a revelação bíblica sobre a essência do que significam conhecimento e verdade, adotando um esquema contraditório, advindo de outra teoria, para a sua docência e prática pedagógica, considerando tal teoria como sendo uma visão epistemológica “neutra”? Já há várias décadas, Cornelius Jaarsma advertia aos professores cristãos que eles necessitavam de uma bússola verdadeira para que pudessem singrar “os mares da pedagogia”.30 Desde então até os nossos dias, esse mar alargou suas costas, as ondas se tornaram mais bravias, as regiões abissais mais profundas e os perigos das correntes marinhas, se não nos desviarmos delas, mais fatais. Jaarsma indica que a bússola do professor cristão “é a visão de Deus, do homem e do mundo, desvelada na Palavra de Deus e centralizada em Cristo”,31 uma afirmação perene, precisa e válida em nosso cenário educacional.
Alguns pesquisadores vêm fazendo exatamente isso – procurando resgatar o papel do professor. Um destes, já citado neste artigo, é G. J. J. Biesta, que insiste que “o ensino deve ter um significado além da facilitação do aprendizado”32 e que o professor é alguém “que tem algo a dizer e algo a apresentar”.33 Em outras palavras, os professores devem ser os mestres de suas matérias; eles têm que ser muito mais do que meros facilitadores, ou até do que mediadores. Para resgatá-los e retorná-los à posição de dignidade da qual nunca deveriam ter sido removidos, devemos considerá-los pelo menos mentores (posição que está bem acima da de um mediador). Mas mentores alimentam conhecimento e verdades porque são também transmissores, sim, deste mesmo conhecimento e verdades. Este é o papel destinado a eles pelo Doador da vida e soberano Mantenedor de todas as coisas.

 

CONCLUSÃO
Instituições de ensino cristãs têm, muitas vezes, adotado diferentes teorias educacionais sem muito questionamento dos pontos contraditórios das mesmas com relação à revelação de Deus e à fé cristã. Em algumas avaliações, o conceito da zona de desenvolvimento proximal apresentado por Vygotsky parece recolocar valor no papel do professor, como sendo aquele que possibilita o salto de um degrau do conhecimento para o próximo. No entanto, o desenvolvimento deste conceito se emaranha em visão equivocada exatamente da visão adotada para conhecimento e verdade. O resultado final da aplicação de conceitos errôneos é, mais uma vez, uma diminuição do papel do professor bastante similar àquela adotada por outras versões do construtivismo.

A manutenção de uma coerência bíblica nos documentos basilares de escolas cristãs (regimento, contratos com os pais, declaração de crenças e valores, etc.) explicitando a fé abraçada, levará à adoção de uma compreensão de conhecimento, verdade e do próprio papel de seus professores diferente daquela postulada por estruturas teóricas pedagógicas que negam as verdades das Escrituras, especialmente daquela encontrada na filosofia inerente ao construtivismo.

Uma estrutura cristã teórica na área da educação deve se firmar no que a Bíblia ensina sobre a constituição das pessoas, o caráter de Deus e os conceitos de conhecimento e verdade. O professor cristão deve manusear o conhecimento como a Bíblia o apresenta e o manuseia. Tal postura não promoverá arrogância, porque o professor cristão está sendo continuadamente advertido a ser humilde e a olhar para Deus como a fonte última de suas capacitações e habilidades, sem pensar de si mesmo mais do que deve pensar (Rm 12.3).
Nesse mesmo espírito, abordará o mundo de Deus para descobrir as verdades tanto da criação física e da harmonia que sustenta o universo (“leis” físicas e químicas – “um dia faz declaração ao outro dia” – a harmonia que possibilita testar hipóteses e fazer ciência) como de sua lei moral e princípios de vida (“lei perfeita”, “desejável”, possibilidade de redenção – todos esses conceitos presentes no Salmo 19). O professor que entender essa conexão da educação com os conceitos bíblicos e imprimir essa percepção ao seu chamado e prática, impelirá o seu papel pedagógico ao devido patamar. Ao mesmo terá uma profunda consciência da tremenda responsabilidade que vem junto com a tarefa de ser portador da verdade, a ponto de Tiago 3.1 advertir que muitos não deveriam desejar ser mestres.

No cômputo final o professor precisa ser resgatado do papel passivo e do desprezo no qual as estruturas teóricas pedagógicas o colocaram. Auxiliar os alunos está no cerne do chamado, mas para que haja eficácia na ajuda ele tem que ser mais que um mero facilitador. A pacificação e conciliação entre entendimentos diferentes faz parte de suas tarefas, mas ele tem que se erguer acima do papel de mero mediador. Os professores cristãos têm por obrigação dominar a área de ensino à qual se dedicam; os alunos, especialmente as crianças e os adolescentes, clamam por direcionamento e mentoria; os professores têm de transmitir conhecimento, para que as verdades sejam apreendidas e internalizadas. Comunicação é o domínio da arte de codificar/descodificar, e isso está presente em toda a prática de ensino, de tal modo que tenham a condição de agir como Paulo ordenou a Timóteo34 (2 Tm 2.2, já citado), transmitindo verdades de geração em geração.
Esta reflexão é necessária não somente às escolas cristãs, para que lidem com seus professores de forma adequada, mas também aos próprios professores. A percepção destes deve ser aferida para que se verifique se os conceitos apropriados, baseados na Bíblia, estão presentes na sala de aula. Isso nos leva a uma segunda pergunta além daquela que se procurou abordar nas páginas anteriores: “Como a percepção desses conceitos impacta o entendimento e prática de uma amostragem relevante de professores cristãos do ensino fundamental?”
Esta pergunta pode servir de base para um possível questionário com bases acadêmicas a ser submetido a um número pré-estabelecido de professores de três ou quatro escolas cristãs, representativas do universo, sob a hipótese de que substanciarão as conclusões a que chegamos e que também forneçam dados adicionais que sejam de utilidade a professores e escolas cristãs. Mas isso deve ser alvo de pesquisa adicional que vai além do escopo deste artigo.

 

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1 PORTELA NETO, F. S. O que estão ensinando aos nossos filhos? São José dos Campos, SP: Fiel, 2012. Alguns destes textos com posicionamento contrário ao construtivismo, referenciados nesse livro, são: GRANATO, Alice. “Não, não e não!!!!” Veja, 16/06/1999; OYAMA, Thais. “A boa linha dura”. Veja, 13/10/1999; PHILIPS, Asha. Dizer não – impor limites é importante para você e para seu filho. São Paulo: Campus-Elsevier, 2000; BERGAMASCO, Daniel. Veja–SP, 27/06/2012, p. 34-44; BEGLEY, Sharon; KALB, Claudia. “Learning Right from Wrong”, Newsweek, 13/03/2000, p. 30-33; CAPOVILLA, Fernando. “Debate: o método fônico x construtivismo”, Folha de São Paulo, 06/03/2006. CASTRO, Cláudio Moura. “A Guerra dos Alfabetizadores”, revista Veja, Seção Ponto de Vista, 12/03/2008.

2 Relatório Anual do Instituto Presbiteriano Mackenzie para 2019. Documento de distribuição interna.

3 PORTELA NETO, F. S. O que estão ensinando aos nossos filhos? São José dos Campos, SP: Fiel, 2012; Educação escolar. Campina Grande, PB: Visão Cristã, 2016, e Educação cristã: história, conceitos e práticas (Org.). São Paulo: Editora Mackenzie, 2017, entre outros.

4 BIESTA, G. J. J. “Receiving the Gift of Teaching: From ‘Learning From’ to ‘Being Taught By’”. Studies in Philosophy and Education 32:5 (2013): 449-461, p. 450.

5 Ibid.

6 VAN BRUMMELEN, H. Steppingstones to Curriculum: A Biblical Path. 2ª ed. Colorado Springs, CO: Purposeful Design, 2002, p. 31.

7 MILLER, P. H. Theories of Developmental Psychology. 5ª ed. Nova York: Worth Publishers, 2011, p. 28 e 73. Ver também: SLATER, Alan; BREMENER, Gavin. Uma introdução à psicologia desenvolvimental. Lisboa: Instituto Piaget, 2005.

8 DELASHMUTT, G.; BRAUND, R. “Post Modern Impact: Education”. In: MCCALLUM, D.(Ed.). The Death of Truth: Finding Your Way Through the Maze of Multiculturalism, Inclusivism, and the New Postmodern Diversity. Minneapolis, MN: Bethany House, 1996, p. 95-121.

9 VAN BRUMMELEN, Steppingstones to Curriculum, p. 34.

10 SCHAEFFER, Francis. A Christian Manifesto. Wheaton, Il: Crossway, 1981-1982, p. 24. Este livro foi traduzido para o português com o título Manifesto Cristão. Brasília, DF: Refúgio, 1985 (edição esgotada).

11 ÜLTANIR, E. “An epistemological glance at the Constructivist approach: Constructivist learning in Dewey, Piaget, and Montessori”. International Journal of Instruction 5:2 (2012): 195-212, p. 205. Disponível em: http://eric.ed. gov/?id=ED533786.

12 ORTLIEB, E. “Attraction Theory: Revisiting How We Learn”. Journal of Curriculum Theorizing 30:2 (2014), p. 71-87. Disponível em: http://search.proquest.com.ezproxy.liberty.edu:2048/docview/1636542198/fulltext PDF/.

13 AN, S. “Schema Theory in Reading”. Theory and Practice in Language Studies 3:1 (2013), p. 130-134. Disponível em: http://search.proquest.com.ezproxy.liberty.edu:2048/docview/1346774359/fulltext/.

14 Ibid., p. 130.

15 ÜLTANIR, “An epistemological glance”.

16 MILLER, Theories of Developmental Psychology, p. 33.

17 BARBER, J. P. “Integration of Learning: A Grounded Theory Analysis of College Students’ Learning”. American Educational Research Journal 49:3 (2012): 590-617.

18 VAN BRUMMELEN, Steppingstones to Curriculum, p. 32.

19 Esta e as outras referências das Escrituras Sagradas no artigo são retiradas da tradução João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada (ARA).

20 DELASHMUTT; BRAUND, “Post Modern Impact”, p. 120.

21 Ibid., p. 121.

22 DE WAAL, E.; GRÖSSER, M.; PRETORIUS, Y. “The Changing Role of Teachers: Transmitters of Knowledge and/or Mediators of Learning?” Trabalho de pesquisa apresentado na Conferência da Associação Educacional da África do Sul (EASA), 2010. Disponível em: http://marygrosser.co.za/uploads/presentations/2010%20De%20Waal %20Grosser%20Pretorius%20EASA.pdf.

23 BIESTA, “Receiving the Gift of Teaching”, p. 451.

24 Ibid., p. 450.

25 THOMPSON, C. B. “Our Killing Schools”. Society 51:3 (2014): 210-220, p. 212.

26 VAN BRUMMELEN, Steppingstones to Curriculum, p. 77.

27 CHAN, Y.; WONG, N. “Worldviews, religions, and beliefs about teaching and learning: Perception of mathematics teachers with different religious backgrounds”. Educational Studies in Mathematics 87:3 (2014), p. 251-277. Disponível em: http://eric.ed.gov/?q=religious bias in mathematics textbooks&id=EJ1041568.

 

 


* Graduado em Matemática Aplicada (B.A., Magna Cum Laude) pelo Shelton College (Cape May, Nova Jersey); Mestre em Divindade (M.Div.) pelo Biblical Theological Seminary (Hatfield, Pennsylvania); Litterarum Humanarum Doctor (L.H.D.), pelo Gordon College (Boston, Massachusetts). É professor-coordenador de Educação Cristã no CPAJ e professor de Teologia Sistemática no Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, em São Paulo.

 

ARTIGO PUBLICADO EM: FIDES REFORMATA XXV, Nº 1 (2020): 63-75

Retroceder nunca, render-se ... jamais!

Os nascidos nas décadas de 70 e 80 com certeza se lembrarão desse filme e outros do gênero. Jean Claude Van Dame era o astro do cinema em 1990 e arrasava com seus golpes e a famosa abertura de pernas entre duas cadeiras ou no parapeito de uma varanda. Lembram disso? O roteiro desses filmes era sempre o mesmo: uma ação do adversário  derrubava Van Dame que ficava prestes a perder a luta, mas de repente, o golpe fatal acontecia e ele vencia o inimigo. Hoje independente de você ter visto esse ou outros filmes do tipo, eu gostaria de dedicar esse título para os “bons professores”que resistiram bravamente aos desafios impostos pela pandemia! Vocês foram “Van Dames”, e apesar de abalados, deram e ainda estão dando muitos “golpes fatais” que os levarão a alegria do resultado esperado 😊.                                                                                                                         

Diante de tudo o que a escola /educação / professores / funcionários estão passando nesse ano, e sabendo que muitos estão cansados e sem esperança, espero apresentar através de um personagem bíblico bem conhecido, uma mensagem de chamado, de encorajamento e de esperança. O personagem é o apóstolo Pedro.

  • Pedro era pescador. Ser pescador naquele tempo e sociedade era ter um emprego sem valor. Embora muito importante para a comunidade, não tinha reconhecimento. Certamente Pedro não era rico e não tinha a recompensa justa por seu trabalho pesado. As pessoas não davam muito valor pra ele. Mas... Jesus o viu! Em Mateus 4.19 e 20 diz assim: “Jesus lhes disse: Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens. Eles abandonaram imediatamente as redes e o seguiram.”

Tem muita semelhança do trabalho de Pedro com a docência em nossa sociedade, não é mesmo? Mas, saiba que Jesus continua olhando para nós. Ele tem um chamado individual para cada um de nós e para o trabalho que fazemos. Ele valoriza nosso trabalho e, assim como chamou um pescador, Ele também convida professores para O seguirem. Resta saber se e o quanto estamos dispostos a segui-LO!  

  • Pedro era bom no fazia, mas apesar disso, enfrentava dificuldades. Deve ter acontecido várias vezes e em todas elas, Pedro deve ter pensado: “puxa, eu faço isso há tanto tempo! Eu conheço o mar, eu entendo de peixes, da influência da lua, das técnicas e ferramentas, e porque não está funcionando hoje?” Pois é, naquele dia, a competência de Pedro foi inútil, e a intervenção do poder de Jesus, fez toda a diferença no resultado.

Essa é a lição: há momentos que a nossa competência, nosso esforço e dedicação com nosso trabalho, diante da escola, pais e alunos, fica totalmente dependente da intervenção divina. Não desanimemos por isso! Ao contrário, nos apeguemos Aquele que tem poder e que está disposto a ajudar. Sim, Jesus foi até o mar socorrer, convidar e dar propósito na vida de Pedro... creia que Ele também vai na sala de aula nos ajudar em nosso trabalho. *A pescaria de Pedro foi bênção para ele e para muitos. Assim também será quando Jesus visitar a sala de aula: seremos abençoados(as) e a bênção alcançará muitos (alunos, familiares, funcionários da escola). Jesus tem estado em nossa sala de aula? Seja ela virtual ou presencial? Temos pedido ajuda de Jesus para as dificuldades?

  • Pedro tornou-se discípulo de Jesus. Ele aceitou seguir Jesus e foi com tudo que ele era (pescador, impulsivo, e imagino que até com cheiro de peixe impregnado na pele ☹) Nesse tempo com Jesus e com os outros discípulos há relatos preciosos de como Pedro se posicionou dizendo: “sei que tu és o Cristo!”, de como ele andou (ou tentou) andar sobre as águas, e também de sua intrepidez ao defender Jesus cortando a orelha do guarda romano. Mas também há o relato que esse mesmo “homem” Pedro teve medo ou vergonha (ou os dois) e negou ser amigo de Jesus.

Como tem sido nossa caminhada com Cristo na escola e na sala de aula? Dependendo do conteúdo, temos sido cristãos, mas se for num assunto mais espinhoso, temos nos calado ou negado nossa amizade e conhecimento de Deus? É facil ser amigo de Jesus no momento de louvor na igreja ou cercado de outros discípulos. Mas como temos reagido quando a pergunta de um aluno, dos pais ou até mesmo de outros colegas professores exige que mostremos o nosso relacionamento com o Cristo crucificado? Temos medo/vergonha e acabamos negando nosso compromisso, ou temos sido leais ao nosso Salvador? Vivemos um tempo de posicionamento. A ACSI falou sobre identidade todo esse ano! Temos sido educadores que se identificam com Cristo? Os alunos sabem e veem no trabalho e na postura a identidade/a marca do Evangelho? Temos entendido que Jesus nos chamou para continuar sendo professores, mas que agora não somente para transformar o futuro do aluno nessa terra, mas para semear para a eternidade? São questões importantes para pensar se você aceitou o convite de ser um seguidor de Cristo! 

  • Pedro, ah Pedro! Depois de tudo que viu e viveu com Jesus durante 3 anos... você volta ao mesmo Mar da Galileia para pescar peixe? Foram tantos milagres, conversas, viagens, refeições, promessas.... e você quer ser só mais um pescador! A Bíblia diz (Leia João 21) que após a ressurreição Jesus vai encontrar com o velho amigo Pedro. A cena se repete: um habilidoso pescador frustado com o resultado de seu esforço, uma voz que diz: jogue a rede do outro lado, e finalmente, redes cheias de peixes. Pedro reconhece a ajuda divina. E, de impulso (ele continua sendo Pedro, né?), se joga no mar e vai nadando para encontrar o amigo, o Senhor, o Cristo, Filho do Deus vivo! Eles comem como tantas vezes, eles conversam. Pedro se sente aceito pelo amigo que ele havia traído, e Jesus novamente pergunta se Pedro quer segui-lo, mas o faz agora de forma muito mais profunda.
    Pedro, você me ama? É a pergunta de Jesus. O ainda impulsivo (e com certeza, fedido a peixe) Pedro responde: Amo! Jesus,então, dá a missão: apascenta minhas ovelhas! Após responder 3 vezes a mesma pergunta de Jesus, Pedro entende a dimensão do compromisso assumido, e nunca mais voltou ao mar. Pedro nunva mais se acovardou. Pedro deu a vida por Jesus. Pedro se tornou pedra!

Jesus continua a fazer essa pergunta: Educador cristão,  você me ama? Me ama mais do que você ama o seu próprio conhecimento e entendimento? Me ama mais do que a ciência que você ensina? Me ama mais do que o trabalho e desgaste que alunos, famílias e a própria escola dão a você? Me ama ao ponto de permanecer professor sem receber o devido mérito? Me ama ao ponto de ser ridicularizado por defender e ensinar as minhas verdades? Essa é a missão! Ensine meus filhinhos a andarem na verdade (3 Jo 1.4).  Professores comuns, há vários! Professores por chamado, por vocação divina, só aqueles que ouviram o convite, largaram tudo e decidiram seguiram a Cristo, e por isso são chamados de PROFESSORES CRISTÃOS! Tão importante quanto ensinar contéudos acadêmicos, nós ensinamos as Verdades do Deus Criador.

Diante dos desafios de 2020 e dos anos que virão, embora abalados pelos golpes do adversário, estajamos prontos para lutar por Cristo e com Cristo, na certeza de fé, que já sabemos o final. Que esse seja um lema que permaneça em nosso coração: Retroceder nunca, render-se jamais.... temos ovelhas de Jesus para apascentar! E um dia, as entregaremos ao bom pastor.  

OBS: No ínicio do ano, escrevi um artigo comparando a nossa vida escolar com a aventura de um passeio na montanha russa. Altos e baixos, emoções diversas, valores e conceitos sendo testados. Confesso que nunca pensei que a analogia e os exemplos seriam tão pertinentes ao ano de 2020. Que montanha russa de emoções e de realidade vivemos, não foi mesmo? Segue o link do artigo da montanha russa.  https://acsi.com.br/component/content/article/135-blog-noticias/100-segura-na-mao-de-deus-e-vai?Itemid=435   

Fazendo Matemática para a Glória de Deus

Fazendo Matemática para a Glória de Deus

Transcrição do áudio de um programa de rádio nos EUA: 

A pergunta de hoje é de um menino de 8 anos, Joshua. Chegou até nós por meio de sua mãe, uma ávida ouvinte do podcast. Esta é a pergunta de Joshua: “Caro pastor John, minha mãe gosta de ouvir seu podcast quando ela dobra a roupa. Obrigado por "encher" a mente de minha mãe. Eu tenho uma pergunta: você gostava de estudar quando tinha 8 anos? Eu não gosto de Matemática e fico com raiva quando estudo Matemática. Eu não aprendo e não sei como confiar em Deus. Por que eu confiaria em Deus para fazer Matemática? Mamãe me diz para fazer isso por Ele, mas eu não gosto e não quero. Quanto mais tento, mais difícil fica. Mas eu sei que isso a deixa feliz.”
 
Quero falar diretamente com Joshua. Então, mãe, por favor, chame o Joshua. 
Olá, Joshua. Aqui é o pastor John. Muito obrigado por enviar sua pergunta sobre Matemática e dizer o quanto você não gosta dela. Eu garanto a você que quando eu tinha 8 anos, também não gostava de Matemática. Na verdade, quando eu estava na terceira série, reprovei em Matemática na primeira metade do ano letivo. Naquela época, os professores davam notas desta forma: insatisfatória, satisfatória, muito boa e excelente - em vez de A, B, C, D. E eu obtive a nota mais baixa possível, insatisfatória, no meu boletim escolar. Então, eu não apenas não gostei da matéria; eu entendi que não era bom nisso. E como você, achei muito difícil.
 
Além disso, Joshua, como você, eu tive uma mãe, e ela era uma boa mãe. E ela me ajudou a continuar tentando, até que na terceira série eu consegui apenas passar no curso de Matemática. Então, vou tentar encorajá-lo, Joshua, a não desistir, mas a fazer o melhor que puder, não importa o quão difícil seja. E tenho quatro incentivos para mantê-lo no foco de buscar gostar de Matemática.
 
 
1. Deus criou um mundo matemático
Deus fez o mundo para ser cheio de matemática. Agora, você sabe, Joshua, que os números são como palavras. Você pode não ter pensado nisso. A palavra cachorro significa um animal real, e chamamos esse animal real pela palavra cachorro. Mas cachorro de verdade não é palavra, certo? É um animal real. A palavra D-O-G (cachorro), é apenas um nome - é apenas um nome para algo que é real. As palavras nos ajudam a falar uns com os outros sobre o que é real. Sem palavras, tudo o que podemos fazer é apontar. Portanto, as palavras são realmente úteis, embora sejam apenas nomes. Eles não são coisas reais, mas dão nomes a coisas reais. Agora, também é assim com os números, certo? Os números são como palavras. Eles representam coisas reais, ou quantidades reais de coisas reais.
 
Por exemplo, se você tem duas bananeiras no quintal e em uma bananeira há quatro bananas e na outra há quatro bananas e no dia seguinte alguém na escola pergunta a você: "Joshua, quantas bananas estão crescendo nas árvores do seu quintal?" Bem, você poderia dizer: “Quatro em uma árvore e quatro na outra árvore”. Ou você pode dizer, “Oito bananas,” porque 4 + 4 = 8 bananas. Isso é matemática, mas esses números representam bananas reais. Eles não são apenas números; eles representam coisas reais que você pode comer e falar.
 
“A matemática é muito útil para ser feliz neste mundo.”
Deus fez um mundo de bananas, cachorros e milhares e milhares de outras coisas reais que você pode contar. Você pode colocar números e nomes neles. Esse é o tipo de mundo que Deus fez. Então, quando estudamos matemática, estamos tentando entender a maneira como Deus fez o mundo. Este é o mundo de Deus, e Ele ama quando seu povo, incluindo crianças de 8 anos de idade, estuda seu mundo, entende-o e usa-o para sua glória.
 
 
2. Deus Tornou a Matemática Útil
O que nos leva agora ao segundo encorajamento. Deus tornou a Matemática muito útil neste mundo. Ele fez isso para nos ajudar. Joshua, deixe-me contar duas histórias, duas ilustrações.
 
Suponha que no posto de gasolina, onde seus pais enchem o tanque do carro, você perceba que eles têm uma oferta especial de três barras de chocolate por 1 real e pergunte à sua mãe: "Pode me dar 1 real, por favor, para comprar aquelas barras de chocolate?" E sua mãe diz: "Claro, aqui estão 2 reais, compre também para seu irmão.” Então, você entrega ao homem da lanchonete seus 2  reais e pede as barras de chocolate. Imagine que ele lhe dê apenas cinco barras de chocolate e receba seus  2 reais, o que você vai dizer a ele?
 
Se você estudou Matemática no 3° ano com afinco, como eu tentei fazer, e aprendeu sua tabuada, você saberia que se comprasse três barras de chocolate por 1 real, deveria receber seis barras de chocolate com os 2 reais, porque você aprende no 3° ano que 2 x 3 = 6, não 5. E se você não aprendeu isso, você sairia com cinco barras de chocolate em vez de seis, simplesmente por não saber Matemática.
 
Em outras palavras, a Matemática é muito útil para ser feliz neste mundo. Porque seis barras de chocolate me deixam mais feliz do que cinco barras de chocolate. E quanto mais você envelhece, Joshua, mais importantes esses números se tornam.
 
Aqui está uma história mais séria. Você está caçando esquilos na floresta com seu rifle, e de repente quatro lobos ferozes aparecem na sua frente. Eles mostram os dentes e parecem que vão atacar você. E você sabe que não pode lutar contra quatro lobos ferozes e salvar sua vida. Você pode ser capaz de lutar contra um lobo, mas não quatro. Você silenciosamente verifica sua arma e percebe que tem apenas três balas restantes em sua arma.
 
Então, você faz a Matemática que aprendeu no 3° ano: “Se eu matar um lobo com cada uma das minhas três balas, só sobrará um lobo para lutar, porque 4 - 3 = 1. E minha vida depende dessa Matemática . ” Você mira com cuidado e mata três lobos. E quando o quarto ataque, você pode usar seu rifle e acertar a cabeça dele. Muito bem! Eu garanto a você, Joshua, a Matemática não só vai lhe dar as barras de chocolate que você mereceria, mas a Matemática pode salvar sua vida. Realmente pode.
 
 
3. Deus Tornou os Pais Sábios
Aqui está o terceiro incentivo. Deus fez sua mãe e seu pai com muita sabedoria sobre o que você precisa para sua vida futura - sabedoria que você ainda não tem, porque você tem apenas 8 anos. Uma das razões pelas quais Deus dá pais aos filhos é para que eles possam aprender sobre vida de seus pais e evitar centenas de erros. Parece-me que você tem bons pais, Joshua. Eu também. E eles não me deixavam desistir quando tinha vontade de desistir, porque sabiam o que seria bom para mim. E eu ainda não sabia o que seria bom para mim à medida que crescesse.
 
 
“Deus ama quando seu povo, incluindo crianças de 8 anos, estuda seu mundo, o compreende e o usa para sua glória.”
 
 
Eu queria brincar lá fora com meus caminhões na terra com meu amigo Sonny. Isso é tudo que eu queria fazer. Eu não queria estudar. Eu nem queria ir para a escola. Não gostei da escola no 3° ano. Mas sou muito grato a Deus por Ele ter me dado uma mãe e um pai que sabia o que era melhor para mim, porque eu mesmo não sabia o que era melhor para mim. A Bíblia diz, e você sabe disso: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor” (Efésios 6: 1). E estou tão feliz por ela ter dito isso. E estou feliz por ter feito isso.
 
 
4 - Deus fez você confiar nele
O que me leva agora, Joshua, ao último encorajamento. Deus fez você para mostrar como Ele é bom e grande, confiando nEle para ajudá-lo. E Deus me fez também. E adivinha? Ele me mudou. Ele me mudou tanto que  no Ensino Médio eu adorei estudar Geometria, que é um tipo de Matemática, e finalmente algo de Matemática de que eu realmente gostava. Foi como uma história de detetive. Você encontrou as pistas, juntou as pistas e descobriu a solução para o problema. Foi como descobrir quem era o bandido e colocá-lo na prisão.
 
Mas Joshua, para ser honesto, além da Geometria, eu tinha medo principalmente de Matemática. E quando terminei minha última aula obrigatória de Matemática básica na faculdade, senti como se tivesse saído de um túnel escuro para a luz do dia pelo resto da minha vida. Eu nunca, nunca, nunca terei que fazer outro curso de Matemática. Viva! Quer dizer, parecia uma libertação, sair da prisão.
 
Aqui está o ponto, Joshua: mesmo que você não goste de matemática hoje, você pode gostar algum dia, porque você cresce e muda. Seu cérebro muda. Ou você pode não gostar de Matemática e ficará muito feliz quando não precisar mais estudá-la. E tudo bem por isso. Deus fez você do jeito que você é. Você não precisa crescer para ser um matemático. Mas um pouco de matemática é bom para todos, eu prometo a você.
 
 
Meu incentivo final é este: quando sua mãe e seu pai disserem que você precisa terminar sua tarefa de Matemática, você deve dizer: “Sim, senhora”. Ou "Sim, senhor." E então sussurre uma oração para Jesus: “Jesus, por favor, me ajude. Eu não quero fazer isso. Eu não gosto de fazer isso. Mas vou fazer isso porque mamãe mandou, e o pastor John disse que é bom para mim. Então, eu confio em você para me ajudar. ” E Joshua, ele vai. E sua confiança nEle mostrará o quão grande Ele é.
 
 
 
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John Piper (@JohnPiper) é fundador e professor do desiringGod.org e chanceler do Bethlehem College & Seminary. Por 33 anos, ele serviu como pastor da Igreja Batista Bethlehem, Minneapolis, Minnesota. Ele é autor de mais de 50 livros, incluindo Desiring God: Meditations of a Christian Hedonist e, mais recentemente, Providence.

Esgotamento do professor: como prevenir e como contra-atacar.

 

Ajustar-se a algo novo e diferente pode ser exaustivo! E durante a maior parte de 2020, vivendo em meio a uma pandemia, tivemos que lidar com mudança após mudança. Os professores, principalmente, têm sentido o impacto disso por terem que fazer muitas alterações em sua vida pessoal e profissional, além da responsabilidade de apoiar seus alunos em seu próprio processo de adaptação ao "novo normal" educacional.

O que Deus tinha em mente ao levar os líderes da ACSI a falar de florescer e dar frutos em uma época em que a fadiga parece ser o produto natural de nossa situação atual? Houve algo que se perdeu entre o céu e a terra?

Não! O  florescimento foi criado para tempos como este! No Salmo 92, o Rei Davi escreve sobre o florescimento em um contexto de circunstâncias difíceis - a presença de iníquos, tolos, insensatos e inimigos. E dentro da realidade de tempos adversos, ele corajosamente proclama que "Os justos florescerão ..." (v. 12 ênfase adicionada). Como professor que luta contra o cansaço da adaptação, você pode duvidar que o florescimento seja possível nessas circunstâncias. Porém, para torná-lo realidade, primeiro veremos a que se refere esse conceito.

Neste salmo, o Rei Davi oferece uma imagem florescente através das características de duas árvores: a palmeira e os cedros do Líbano. Essas duas árvores são caracterizadas por: 

  • Crescer muito e ficar de pé, mesmo em circunstâncias ambientais difíceis;
  • Permanecendo esplendidamente verde;
  • Sua madeira tem muitos anos de utilidade e diversidade que contribuem para o bem estar alheio
  • Em culturas antigas, elas simbolizavam características de bem-estar (força, resiliência, paz e prosperidade).

O rei Davi resume o propósito de florescer em duas ações: dar frutos (mesmo na velhice, v. 14) e proclamar a justiça e a força de Deus como uma rocha (v. 15). 

É possível estar bem no meio da adversidade

Hugh Whelchel, do Instituto de Fé, Trabalho e Economia, escreveu sobre o florescimento no local de trabalho. A imagem que ele descreve de florescimento envolve ser capacitado pelo Espírito Santo para prosperar por meio do bem-estar holístico: físico, psicológico, emocional e espiritual; ao contrário do que o mundo descreve, onde você só luta pela prosperidade material. Seus pensamentos são semelhantes aos do Rei Davi, nos quais o propósito de florescer é: dar glória a Deus no desenvolvimento pessoal e - como a palmeira e o cedro do Líbano - dar frutos compartilhando nossos dons com os outros, ajudando-os a florescer também. 

Os professores desejam florescer pessoal e profissionalmente e a busca pelo bem-estar integral da pessoa faz parte desse processo. Mas sejamos honestos, essa busca pode parecer opressora porque geralmente está associada a fazer mais. E para professores ocupados e estressados com as adaptações que foram feitas por causa da pandemia, fazer mais pode ser difícil. As ações relacionadas com o bem-estar da pessoa muitas vezes são substituídas por tarefas mais urgentes e pelas quais devemos ser responsabilizados.

É interessante notar que o Salmo 92 foi escrito como uma canção para a celebração do sábado. Era para ser cantado no sábado. O povo de Deus refletiu sobre a ideia de florescer, não no contexto de uma exortação a fazer mais, mas em um contexto de celebração, descanso e renovação de forças. Este salmo também conecta o lugar e o ser plantado (na casa do Senhor) com o florescimento (nos átrios do nosso Deus). O povo de Deus floresce, não apenas no contexto de esforço, mas na estabilidade e segurança de ser plantado e cuidado pelo Pai. É por isso que essas observações me levam a acreditar que florescer é mais um estado em que vivemos e não uma meta a ser alcançada. Neste momento, quando estamos trabalhando a todo vapor, seja em um novo ano letivo ou nos preparando para concluí-lo e deixar tudo pronto para o próximo, talvez a ideia de desfrutar o bem-estar integral deva ser vista como algo que vale a pena ser valorizado e cultivado e não como uma perda de tempo. 

Um pouco de sábado durante toda a semana

A apreciar é algo poderoso porque o que valorizamos nos motiva a buscar mais e a querer compartilhar com outras pessoas. Da mesma forma, o que experimentamos como prazeroso, nos esforçamos mais seriamente, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Por exemplo, depois de liberar a tensão física e emocional após uma caminhada de fim de semana, sinto-me motivado para vivenciar isso de novo, mesmo que seja apenas caminhando 10 minutos por dia antes ou depois do trabalho.

Considere as seguintes atividades do “sábado” que despertam um sentimento de prazer e gratidão. Experimente essas atividades e reflita sobre como elas podem estimulá-lo a segui-las e reproduzi-las de pequenas maneiras em sua vida agitada como professor ou líder educacional. 

Dê uma mordida em um alimento saudável, na forma mais próxima de como Deus o criou, e reserve um tempo para saboreá-lo, observando a cor, o formato, o cheiro, o sabor e a textura. Agradeça a Deus por sua boa criação e provisão! Quando foi a última vez que você parou tempo suficiente para ativar seus sentidos e realmente desfrutar e saborear sua comida? Em que ponto de sua rotina você pode incluir tempo para relaxar e saborear a provisão de Deus dessa forma com mais frequência?

Dê um passeio ao ar livre e sinta o movimento de seus pulmões, articulações e músculos. É graças a Deus que temos um corpo maravilhosamente funcional! Como essa atividade afeta seu estado mental e emocional? Como você poderia integrar essa experiência à sua rotina diária, mesmo que por curtos períodos?

Faça uma pausa em suas obrigações como educador e veja como é disciplinar-se para dar total atenção aos relacionamentos e recreação. Agradeça a Deus pelas coisas divertidas e recompensadoras da vida fora do trabalho. Qual foi a sensação de realmente desconectar do trabalho? Isso pode se tornar uma rotina viável? 

Tire uma soneca e observe o peso em seus membros e seus pensamentos evaporarem enquanto você adormece. Graças a Deus por um plano que inclui a necessidade de dormir! Qual é a sensação de deixar Deus governar o mundo sem você por um tempo enquanto você descansa? Como você poderia desligar-se com mais frequência sem se sentir irresponsável?

Nestes tempos difíceis, buscar o bem-estar adicionando mais tarefas a um dia escolar agitado pode ser opressor. Corremos o risco de colapso se continuarmos a enfrentar adaptações quase constantes e esgotar a capacidade limitada de mudança que temos. Mas, assim como existe “mais de uma maneira de depenar uma galinha”, existe mais de uma maneira de buscar o bem-estar para florescer em meio às adversidades. 

E podemos fazer isso entrando em um estado de repouso. Podemos absorver a satisfação de estar bem por meio de experiências simples e o sincero apreço por elas. Essas são maneiras pequenas, mas poderosas, de começarmos a florescer no tempo da fadiga!

Fonte: https://acsilat.org/articulos-y-noticias/burnout-docente?Fbclid=iwar0i73gxh1pvojx_2xjatfbffe7qaxcrc0eczaq8nf76rhbbxqv0qygydso

Traduzido e adaptado: Equipe ACSI

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